nnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnn nnnnnnnnnnnnn
nnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnn
nn

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

celebrando São Paulo com Malú

Malú fez cair o queixo de qualquer garota com o novo clipe.
Desde ontem a música está no repeat aqui e a nova beleza dela não me cansa de jeito nenhum. Ah, e que delícia de som! Estou invejando, celebrando ao mesmo tempo e amando todas as referências de Velha e Louca. Acabou de ganhar uma admiradora cheia de inveja, dona Camelo.

 

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

VODCA COM ADELAIDE IVÁNOVA

[ Fiz meu primeiro perfil há uns dois meses mais ou menos. Tive sorte de escrever sobre uma personagem não só fascinante e cheia de histórias, mas ainda muito querida e disposta a me contar tudo. O texto sobre a Ivi foi uma delícia de fazer. Pena que só agora ele pôde vir pra cá.]


Ivi e eu marcamos nosso skype para uma noite de terça às 20h depois de duas semanas de e-mails, pesquisas, leituras e procrastinação da minha parte; e de graça e muita prontidão da parte dela. Ivi é meu primeiro perfil, a primeira personagem de uma história de não ficção que escrevo para a minha ainda prematura caminhada jornalística, mas é também a recifense falante e atrevida que leio quase que diariamente desde maio de 2009, quando cheguei a São Paulo.

A conheci por causa do Vodca Barata, seu blog e seu maior meio de expressão para o mundo. Não me lembro ao certo como cheguei no diário virtual, mas posso dizer que uma vez lá, me tornei uma de suas fiéis leitoras; ou melhor “leitorinhas”, como carinhosamente nos chama. Culpei minha admiração ao modo corajoso como Ivi escrevia, como tratava de qualquer coisa sem cerimônia alguma. Palavras inventadas; gírias bonitinhas e desavergonhadas; o vocabulário “vodcal”, ou “ivetal” foi rapidamente criando um vínculo entre nós. Em uma época na qual todo mundo tem a mesma chance de se mostrar, Ivi (com seus bem vividos 29 anos) fez milhares de fãs – eu uma delas – sem querer, querendo. É porque a moça é leonina. Ser o centro das atenções não foge de suas suadas expectativas. Dividir a vida, se expor, estar em evidência é a forma mais legítima de se colocar no mundo. E foi bem por isso, que em 2005 aconteceu o blog. “Comecei a escrever pra falar de um menino que me traiu com uma amiga minha. Hoje eu vejo que era só um bafo, mas quando passei por aquilo parecia o maior drama da vida; e eu soltei tudo ali.”

Naquela época, ela cursava o último ano do curso de jornalismo e trabalhava como repórter, escrevendo para o caderno de cultura do maior jornal da capital pernambucana. Mesmo assim, quando soube que Glória Kalil precisava de uma fotógrafa freelancer para cobrir as semanas de moda daquele ano, “Enviei uns retratos que tinha feito, entre eles o do meu primeiro Leandro, e nem disse nada que era de Recife. Fiz a louca e ela me quis”. As semanas de moda acabaram e foi convidada para ficar na equipe. Passou a trabalhar no Chic, o site de moda e comportamento que leva a assinatura de Glória Kalil. Para isso, abandonou a cidade natal sem pesares e, afoita, se mudou para São Paulo – o que queria desde sua primeira visita aos 10, quando veio à cidade acompanhar a mãe durante o mestrado. “Sou apaixonada por São Paulo, me sinto em casa. Se precisasse escolher um lugar no Brasil pra viver, seria lá.”


Ivi diz “lá” porque a grande metrópole já não é mais oficialmente seu lar “agridoce” lar. Durante nossa conversa, ela está em Recife, mas na verdade, só a trabalho. Fica de maio a setembro. Desde o começo do ano mora em Berlim, e é pra Alemanha que vai voltar daqui mais ou menos dois meses. Mas essa é uma história que traz muito mais histórias, e pra chegarmos nela, outras merecem ser contadas.

Começamos nossa chamada usando o teclado, digitando tudo mesmo. Apesar de ela ter pensado que conversaríamos dessa forma, ela topa fazer por microfone e vídeo. Aparece por cinco segundos, percebe que minha câmera não mostra a imagem e logo desliga a sua também. Não acredito que tinha problema em se exibir, de jeito nenhum, só penso que não achava justo se não fosse um tête-à-tête. Apesar de ter trabalhado quase quatro anos com moda, com certeza é a menina menos afetada possível com essa coisa da estética. Logo no começo da entrevista, me conta que antes de fazer seu primeiro trabalho pro Chic, era uma “manguegirl, que gostava de Chico Science e passava o dia de chinelo”. Na bolsa, carregava só leite de colônia e uma pomada para os cabelos que eram bem curtos. Não entendia nadinha, muito menos se interessava por alguma coisa do mundinho. Aprendeu a sofridos solavancos. “Primeiro veio o deslumbre, depois eu queria fazer parte daquilo, no fim das contas salvei os amigos que fiz e deixei a moda, não era pra mim mesmo.”

A moda, acidentalmente, não só a trouxe pra São Paulo, mas tornou possível seu trabalho como fotógrafa. “Em Recife eu nunca conseguiria ganhar a vida fotografando; pelo menos não o que eu gosto de fotografar. São Paulo me possibilitou isso. Era o único lugar no país onde eu podia crescer. Querendo ou não, comecei fotografando moda.” Ivi fez dezenas de amigos no meio. Também gritou e bateu o pé quando precisou. O Vodca foi um microfone potente quando ela quis se rebelar contra os irritantes e tão reais “manuais” da moda. Foi também vitrine de uma de suas séries mais polêmicas, a Fashion Victim – na qual auto-retratos de tom ora agressivo, ora sarcástico, foram toscamente rabiscados com a ferramenta Paint do Windows. “Ali eu queria expressar como me via diante daquele esquema todo.”

Romântica incurável, teatral até, expôs também seus amores. E quando fala deles, se rende totalmente. Usa palavras, usa fotos e vídeos e se usa pra expressar o inexprimível. Pra mim, seus melhores trabalhos são os apaixonados. Fotografias lindas, de luz cor de rosa e alaranjada, muito femininas, mas muito fortes também. Textos sangrentos, mas ternos. Penso que devem ser tão fortes e tão vivos porque são extremamente reais. Pra ser piegas, mas justa, são viscerais.
Quando se mostra, Ivi não poupa nada e nem ninguém, muito menos a si mesma. Rasga o peito e deixa sair. Bem ao modo de seus heróis. E quando começa a dizer seus nomes ( “Frida Kahlo, Goya, Madonna, Patti Smith, Leonilson e Nan Goldin, Beyoncé, Robert Mapplethorpe, Dostoiévski, Tchekov, Franz Liszt”), denuncia na hora com quem estou lidando. E é bem assim, Ivi tem a sensualidade ordinária de Beyoncé, mas a elegância sabida de Mapplethorpe; tem a força e rigor de Dostoiévski e a ousadia e os flashes de Madonna; é passional como Frida e tem o mítico de Goya. Por isso, quando ela me conta seu filme preferido, tudo faz mais sentido ainda; é Uma Linda Mulher. 


[The thing is Mr. Doctor, that you don’t know what I have because x-ray shows no soul. March, 2008]

Sonhadora como a personagem de Julia Roberts em um dos maiores clássicos da sessão da tarde, Ivi tem nome e história que poderiam servir pra um livro, ou quem sabe dois, três. O nome, na verdade, veio de um: Os irmãos Karamázov, do autor preferido, Dostoievski. Culpa da mãe, que se apaixonou por Adelaide Ivânovna, personagem chave da história, e quis passar o karma pra filha querida. Funcionou, Ivi ama o nome, e ama o karma. Outro motivo que a faz gostar tanto do nome é porque o divide com sua avó materna, também Adelaide. Mulher “foda, vencedora”, é uma das suas maiores musas, e sua modelo preferida. Diz que gosta de fotografar a avó porque funciona como um auto-retrato. Mais uma vez, como boa leonina, adora tanto a “vovó” porque se vê muito nela. “Somos muito parecidas, no jeitinho mesmo. As duas falantes, as duas teimosas, o modo mandão e grosso de tratar...”

Quando pergunto se a menina falante tem uma palavra preferida, diz que agora é “vincitrice, que é vencedora, em italiano. O som da palavra é meio estralado e descreve exatamente o que denomina. Quando ouvi pela primeira vez parecia barulho de passarinho”.
Passarinha e inquieta, já viajou um monte. Além do
português, fala
inglês, espanhol, alemão e “italiano passivo (entendo, mas respondo em
inglês)”. O italiano passivo aprendeu em um mochilão que fez em 2009. E a
“mochilagem” lhe rendeu muito mais que um italiano capenga e bem humorado. Em
um fim de tarde em Lisboa, no seu primeiro dia de viagem, conheceu o “coração
de gelo”; e no dia seguinte, embaixo do travesseiro: “Querida Ivi, ontem à noite,
você tocou minha alma. Talvez nós nunca nos
veremos de novo, mas é claro que nos veremos no meu reino dos sonhos - (Dear Ivi, last night you touched
my soul. Maybe we will never see us again
(sic), but of course we will in my kingdom of dreams).
“Coração de gelo”, a.k.a Armin, é de Colônia, na Alemanha. Um e noventa, longos cabelos dourados, o “boy da vida” e um dos motivos de Ivi escolher morar em Berlim. Na verdade, ama a cidade, que lhe inspira de uma forma única “tenho vontade de fotografar todos os dias quando estou em Berlim. Mas tem aquela coisa, a gente ama tudo que é novo. É impossível você continuar apaixonado por algo que passa a conhecer profundamente”.

O outro forte motivo, que não supera a beleza de Berlim ou o amor por Armin, mas a instiga de uma forma única, é a fotografia. Ivi saiu mesmo de São Paulo pra estudar fotografia na Ostkreuz; Instituição respeitada mundialmente quando se trata do assunto. Conquistou uma das 15 vagas anuais, destinadas a cerca de 300 inscritos, que a agência oferece para uma espécie de graduação em fotografia. 


É aqui que a bagunça Recife/Berlim retorna à história. Devido a um projeto anual, exigido pela Ostkreuz, ela está passando quatro meses ente Sergipe e Rio Grande do Norte à procura de personagens que caibam no seu tema: violência de cunho sexista contra a mulher. Fotografar na região onde nasceu e cresceu foi idéia de seu orientador e corresponde à primeira de três etapas do trabalho – Berlim e Suécia são as outras duas. Daí deve sair sua obra-prima. It’s ok to be a boy era só um possível nome quando conversamos. Na última semana publicou no blog que a frase, que pertence a uma música de Madonna, seria mesmo o título ideal.

Para Ivi, fazer fotos de meninas que sofreram algum tipo de violência é muito mais que encontrar histórias doloridas, ou tentar através de imagens traduzi-las. Esse é seu primeiro trabalho com foto-reportagem. É, ao mesmo tempo, o primeiro trabalho que não parte de motivos leves ou despretensiosos. É coisa séria, “de cunho político”. E fica mais séria quando ela me conta o que de fato eu não imaginava: há três anos foi vítima também. Então esse é principal motivo de ter escolhido o tema? “Um dos principais. Queria encontrar meus pares. Não me ver mais como uma ‘freak’”. Esse foi um fator que ajudou a delinear o perfil das mulheres que escolheu para fotografar “Estou em busca de meninas de classe média, com alto nível de escolaridade, fora do obsoleto perfil da ‘mulher em situação de risco’ (preta e pobre, basicamente). Odeio esse termo e acredito que uma mulher está em situação de risco simplesmente por ser mulher”.

Continuamos nesse assunto e, sem surpresas, começa a se mostrar uma Ivi emputecida com tudo que está tratando nos seus últimos dois meses de nordeste. Indignada me apresenta pensamentos dos quais eu nunca tinha gastado mínimos minutos pra refletir. Questiona “a educação que nossos homens estão recebendo” e me diz que quer mostrar que o panorama é outro. Os meninos que praticam a violência têm o mesmo nível social e econômico das meninas, “são seus primos, seus chefes, o amigo da universidade”. “O problema está nos agressores, independentemente de quem são, querem a mesma coisa. E aí, eles apresentam um mesmo perfil.”

Empolgada, desembesta a falar e nossa conversa dura quase duas horas. Com duas falastronas, podia virar a madrugada, se não fosse pelo yoga dela na manhã seguinte e o fato de que sempre dorme cedo.

Interrompo. Deixei pelo menos uma dúzia de perguntas por fazer – falei pra ela, eu já sabia todas aquelas respostas. Sua vida livro aberto e sua personalidade leonina já tinham me contado tudo. 

terça-feira, 4 de outubro de 2011

JOAQUIN SOROLLA

 Joaquin Sorolla não é lá o impressionista preferido do mundo das artes, mas definitivamente está está entre os meus. Suas pinturas me lembram Morte em Veneza, mas com todo o calor do mediterrâneo.




 




sábado, 1 de outubro de 2011

esse ano é o ano teste e o que parece é que estou vivendo dez deles em um. espero que eles também aconteçam a cada dez anos ao menos.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Virginia

"Essa pequena, pensou Mrs. Dempster ... ainda não sabe nada da vida; e, na verdade, seria melhor para ela que fosse um pouco mais forte, um pouco mais lenta, um pouco mais moderada nas suas esperanças."


- trecho de Mrs. Dalloway, de Virginia Woolf, que cabe como uma luva para minha síndrome de sabichona. 

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

USANATOMY - STEVEN KLEIN: O UNIVERSO SANGRENTO, LUXUOSO E FETICHISTA DO FOTÓGRAFO QUERIDINHO DE HOLLYWOOD



O Mube (Museu Brasileiro da Escultura) recebe de 11 a 28 de agosto a exposição USAnatomy de Steven Klein. A mostra - com curadoria de Chico Lowndes e reunida especialmente para o projeto Iguatemi Photo Series, do Grupo Iguatemi - apresenta um panorama dos principais trabalhos do top fotógrafo americano entre os anos de 1995 a 2010.

São 87 imagens, sendo 47 polaroides e 40 fotos em grandes dimensões. Entre os registros; Madonna, Justin Timberlake, Brad Pitt, Angelina Jolie, David Beckham e Tom Ford são apenas algumas das estrelas do universo sangrento, luxuoso e fetichista de Klein. Famoso por conseguir permear facetas sórdidas e momentos íntimos de celebridades e com isso construir imagens que vendem moda e desejo, o nova-iorquino é considerado um dos grandes nomes da fotografia de moda de sua geração.

Logo os primeiros passos no grande salão do Mube nos levam às polaroides, minúsculas perto dos imensos painéis que fecham a exposição. As pequenas fotografias são todas originais e talvez por isso tenham um caráter mais artesanal. Algumas até sem a mínima qualidade, borradas, queimadas pela revelação, ou recortadas à mão formando mini-cenários. Elas mostram um material quase que de making off das grandes produções que o trabalho de Klein exige; ou às vezes são imagens inesperadas, como um retrato sério e triste da cantora Britney Spears. Das polaroides, uma se destaca e parece ter sido tirada de uma espécie de arquivo pessoal do artista. Datada de 2004, trata-se do túmulo coberto de flores do fotógrafo alemão Helmut Newton, que havia falecido naquele ano. 

Mas são as imagens que vêm a seguir que celebram o estilo pelo qual a fotografia de Klein ficou consagrada. Um estilo que não tem espaço para corpos imperfeitos e no qual figuras hollywoodianas são marca registrada mesmo se o caso for uma clássica família americana. Por isso, Brad Pitt, Angelina Jolie e seus rebentos protagonizam cenas dominicais de um verão abafado e bastante ordinário para um casal de beldades do cinema.


“Case Study (2005) – Brad and Angelina”

Madonna, além de amiga é uma das celebridades que ele mais fotografou. Na mostra, a diva aparece pontualmente entre um trabalho e outro. Klein é responsável pelo famoso editorial com cavalos que Madonna fez para a revista W; foi ele que também quem fez a campanha de Dolce & Gabbana na qual a cantora aparece como uma dona de casa italiana. Aliás, foi em um dos seus ensaios que ela e o modelo brasileiro Jesus Luz se conheceram. Algumas fotos desse ensaio estão na exposição em tamanhos gigantes.

Uma série que se destaca pelo forte conceito moda X fetiche é Valley of the Dolls, que tem como personagem principal Tom Ford. Nas fotos, um cenário que imita uma fábrica de andróides, com os quais o estilista flerta e insinua jogos de submissão e dominação.

A mostra também conta com um vídeo de oito minutos que leva o nome de Your Hallucination Is Now Complete. Na tela, centenas de imagens, jogadas uma após a outra, que fazem uma retrospectiva dos principais trabalhos do fotógrafo durante os últimos quinze anos.