nnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnn nnnnnnnnnnnnn
nnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnn
nn

quarta-feira, 13 de julho de 2011

UM EMPURRÃOZINHO PARA COMEÇAR A SE APAIXONAR POR PATTI SMITH

Um texto meu sobre a Patti Smtih foi publicado no querido Style-a-Holic hoje.
Aqui ele vai inteirinho, sem edição nenhuma. 



PARA SE APAIXONAR POR PATTI SMITH



Não vou mentir. Meu primeiro contato mais próximo com a obra e a história de Patti Smith foi justamente com seu primeiro blockbuster literário; Só Garotos  – lançado no final do ano passado aqui no Brasil. Não duvido que assim como eu, muitos dos que lêem esse texto tiveram uma experiência parecida. Mesmo que eu já tenha considerado essa experiência tardia, acho que talvez ela não teria sido a mesma se não fosse pelo livro, e certamente agora eu não estaria tão envolvida com tudo que trata da cantora e escritora norte-americana.

Comprei o livro, incentivada pelo alarde que ele ganhou nas redes sociais, mas, principalmente, por uma matéria do jornalista Thales de Menezes, que ganhou capa do caderno Ilustrada da Folha de S. Paulo - e que além da resenha e apaixonada crítica ao livro, mostrava também uma entrevista com a cantora. Lembro que a primeira coisa que gostei muito foi a foto da capa. Mais tarde eu leria o trecho no qual Patti conta do dia dessa foto e o guardaria também pra mim.

Fui toda estúpida, boba e crua pra receber as lembranças mais queridas e apaixonadas da cantora. Confirmo, foi a melhor forma de começar a conhecer seu universo. 

Patti levou vinte anos para escrever Só Garotos. Memórias ainda vivas, anotações, cartas e textos antigos foram organizados para contar a estória de vinte e dois anos de amor e amizade com o fotógrafo, também norte-americano, Robert Mapplethorpe; abrigada em um cenário fascinante; a Nova York da década de 1970, borbulhando arte e música. Escreveu tudo a mão – li que costuma escrever sempre assim, e que tem hábito de escrever todos os dias desde que se lembra.

Não sou de devorar livros em pouco tempo. Raramente não consigo acabar dormindo; sempre leio deitada, com luz baixa. Com esse livro, me preparava para não deixar o corpo cair no colchão; deixava a luz radiante no rosto e em duas madrugadas terminei tudo. Senti a velha e ordinária sensação de que tantos falam; fiquei órfã quando o texto acabou.Também não sou de reler nada, no máximo crônica ou poesia, e ainda assim só as preferidas. Depois de uma semana resolvi pegar o livro de novo. Dessa vez quis lê-lo devagar, para durar mais mesmo. Duas semanas depois eu tinha a mesma sensação da primeira leitura.

Os relatos de Patti são cheios de detalhes deliciosos, que deixam o texto mais perto do leitor e o faz recordar com a autora cada lembrança ali revelada. Gosto especialmente da forma como ela prepara a cena para as próximas linhas e descreve graciosamente imagens, sons e, ainda, consegue se lembrar exatamente das roupas que os personagens usavam nos dias contados. “Eu estava com um vestido marinheiro de bolinhas pretas, um longo de viscose, e chapéu de palha, meu figurino de Vidas Amargas” (p. 103) , “Em um dia de veranico vestimos nossas roupas favoritas, eu com minha sandália beatnik e uma velha echarpe, e Robert com suas amadas miçangas e o colete de ovelha”(p. 50)

Só Garotos é um ótimo primeiro passo para quem quer conhecer mais de Patti Smith, pra quem gosta de música e arte – principalmente as daquela época - ou pra quem procura uma estória inspiradora. Depois dele, prometo que algumas boas vontades vão instigar sua cabeça. Por exemplo, o livro para mim também foi um atalho para me interessar mais por alguns nomes que estão lá, sejam eles de personalidades como Bob Dylan, Andy Warhol ou Edie Sedgwick, e até mesmo movimentos e grupos, como os punks, a pop art, a cultura beatnik ... Conhecer o trabalho de Mapplethorpe é um dos interesses inevitáveis que você pode vir a ter; e logo também corre o risco de se encantar.

Na minha procura por mais de tudo isso, acabei lendo Mate-me, por favor (2004), de Legs McNeil e Gillian McCain . O livro é quase um almanaque do punk; cheio de entrevistas feitas de 1960 até meados de 1980 com grandes nomes do movimento. São dois volumes. Se você gostar do livro de Patti, tem grandes chances de se interessar por esse.

Outro material riquíssimo e belíssimo é Dream of Life – documentário de Steven Sebring, mostrando todas as melhores facetas de Patti Smith. O documentário de Sebring acompanha a artista ao longo de 11 anos através das suas sessões de spoken word, shows, entrevistas, pinturas, rabiscos e fotografias.

Pronto, agora não existe mais desculpa para começar a se apaixonar por Patti Smith :)  



2 comentários:

DEISI disse...

Estou lendo esse livro, e também estou amando.
bj
Deisi

Natacha Cortêz disse...

;)